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domingo, 15 de agosto de 2010

A única menina


Essa semana fui ao cinema ver "A Origem". Como a sessão começava mais tarde, aproveitei e vi "Os Mercenários" antes, senão teria ficar enrolando pelo shopping durante duas horas (o que não é tão legal assim quando você está sem dinheiro). Peguei minha pipoca e fui toda feliz entrando na sala, quando me deparei com uma triste realidade: eu era a única menina na sala.
Não sou acostumada a ir ao cinema sozinha, mas mesmo assim nunca tinha visto isso antes. Mesmo em filmes mais chatinhos, sempre tinha alguma representante do sexo feminino na sala, mas dessa vez eu era o bendito fruto entre os homens. Por todos os lados eu via grupinhos de adolescentes, caras em seu horário de almoço e os típicos ratos de cinema. Muito preto, azul e verde, mas nada de rosa.
Sentei, dei uma mãozada no balde de pipoca e comecei a viajar antes mesmo do filme começar. God, eu tinha tudo pra ter um puta distúrbio de personalidade. Acho que isso só não aconteceu porque conservei meu lado mulherzinha. Sempre brinquei na rua com meus irmãos e os vizinhos, mas também tinha toda a casa da Barbie. Era a única menina na turma de natação, mas sempre mantive o biquini intacto. Comentava sobre os jogos de futebol com os meninos da sala e ficava puta quando falavam mal do Timão, mas minha camiseta do Corinthians era baby look.
E bom, deu certo pra mim, né? Nem fresquinha e nem macho man, o equilíbrio veio e tá presente em tudo, e eu vivo muito bem, obrigada. Ainda dou uns arrotos depois da Coca, mas saibam que eu sempre coloco a mão na boca, viu.

Go, Shiloh!

PS: Adorei "Os Mercenários"! Sly dando porrada fez meu dia bem melhor.

sábado, 10 de julho de 2010

Aquele da profecia


Aí que meu pai trabalha em um Cartório de Registro Civil desde que tinha 16 anos e já viu e ouviu de tudo um pouco. Desde o cara que queria registrar a filha de Sara Jane Connor, em uma homenagem explícita - e ridícula - a Sara Connor (Exterminador do Futuro) e a Jane (a do Tarzan, meus amigos), até a mulher que desistiu de se casar meia hora antes do horário marcado, deixando o noivo e a família inteira plantados na porta do cartório.
Mas de todas as coisas legais que já aconteceram, a melhor foi esse ano. Em uma bela tarde, um cidadão aparece, chama meu pai e, na maior naturalidade, solta a pérola: "Oi, eu gostaria de registrar uma profecia". Nisso, meu pai com sua expressão de WTF? pede uma explicação e o amigo complementa: "Então, eu bolei uma profecia baseada em uma visão que tive, e queria deixar isso registrado". Erro do meu pai? Encaminhar o "profeta" a outro cartório sem nem ao menos descobrir qual era a grande descoberta, porque né? Vai que o novo Nostradamus é de Barretos e a gente aqui marcando...

Adiantado?

* Momento Merchan Neves: Tá a toa na lagoa? Ouça o melhor radiojornal feito por universitários no Brasil, há! Ao ouvir o Expresso Londrina além de ficar informado você ouve a minha bela voz, portanto é uma win-win situation.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Da série analogias que mudam a sua vida


Pirâmides, quadrados e pizzas. É nisso que se resume a comunicação.

"A sociedade como um todo, incluindo a comunicação, é como uma grande pizza de calabresa estragada."

quarta-feira, 24 de março de 2010

Wake up, number 37.


Viagens de ônibus. Um problema comum a todos os mortais que não tem patrocínio suficiente para comprar um carro, e ainda maior para quem mora fora e vai pra casa em finais de semana e feriados. Malditas viagens de ônibus...
Em um ano eu já tive algumas experiências interessantes. Velho pinguço fedido, estudante de medicina louca que queria conversar sobre o lado legal de ser oftamologista, vovó levando a netinha pra passear em Londrina - as duas ocupavam o mesmo banco e a capeta da menina gostava de chutar. O pior é que a pessoa nem precisa estar sentada do seu lado pra te proporcionar uma viagem dos infernos: quem nunca presenciou um infeliz abrindo aquele pacote de Cheetos Bola dentro de um ônibus fechado com o ar-condicionado torando? Momentos de tensão.
É por essas e outras que eu sigo algumas táticas antes de uma agradável viagem de 7 horas. A primeira delas é a poltrona 37, que por algum motivo me dá sorte. Bem no fundo, a uma distância necessária do banheiro e isolada do meio do ônibus (que é onde os velhinhos que roncam costumam viajar), foi aí que tive as minhas viagens mais tranquilas, inclusive aquela em que o moço bonito e cheiroso que ouvia Strokes sentou ao meu lado. Além disso, é óbvio que eu rezo. Ah, como eu rezo. Rezo pra vir sozinha (a não ser que o moço bonito e cheiroso que ouvia Strokes apareça de novo), rezo pra não ter crianças por perto em um raio de cinco poltronas e pra que aquele legalzão que acabou de comprar um celular com mp3 não se esqueça de levar um fone de ouvido. E o mais importante, também rezo pra que Deus me acorde na hora certa e que assim eu não acabe parando em Maringá

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dias de chuva


Nunca tive motivos pra ter problemas com chuva, já que Barretos tem alguns pequenos pontos de alagamento e eles nunca são perto da minha casa. A única coisa é que, sabe Deus por que, eu tenho medo - muito medo - de raios e trovões (coloco a culpa no Dr. Victor, do Castelo Rá-Tim-Bum). É o tempo começar a fechar que já começo a pensar em mil maneiras de morrer. Tenso.
Com alguém por perto, acabo dividindo a paranóia e tudo passa mais rápido, mas o grande problema veio esse ano. Morando sozinha em uma cidade que eu já considero a Forks brasileira do tanto que chove, tive que aprender a lidar com a minha histeria, tentar esquecer a tempestade lá fora e tentar ser normal, o que deu certo até certo ponto. O drama maior veio em uma noite escura de temporal feio em que a força acabou. A Mônica, com a maior tremedeira do mundo, pega o celular e liga pro pai. O diálogo:

- Paaaaaai! Acabou a força aqui, tá chovendo pra caramba e eu não sei o que fazer.
- Você não faz nada, menina. Deita e dorme. (é, o detalhe é que isso era quase meia-noite)
- Mas como você espera que eu consiga dormir assim?
- Fechando os olhos e contando carneirinhos, Mônica.
- Ai paaaaaai...
(tu tu tu tu tu tu tu)

E foi assim que eu percebi que, além do meu pai não me levar a sério, eu tinha encontrado meu medo irracional.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

E foi uma monicada daquelas


Se tem uma coisa que eu me lembro bem das aulas de literatura do colegial - além dos brações e dos olhos azuis do professor - é da liberdade que Guimarães Rosa tinha para inventar palavras. Lógico que quando ele fazia isso a galera achava poético, bonito e chamava de figura de linguagem, mas ai de mim se saio por aí falando que fulano é humildoso ou que alguma coisa é nonada. Pobre da Mônica analfabeta, né.
A questão é que sempre quis ter esse poder de inventar palavras que acabassem pegando, coisa que hoje em dia parece tão fácil. Fala sério, o que você pensaria se há 10 anos alguém chegasse e pedisse uma explicação sobre alguma coisa que você twittou hoje? Ou então se, do nada, você fosse chamado de adultescente? Parece que a cada ano o dicionário engrossa mais e as palavras ficam mais específicas (ou idiotas, como no último exemplo citado), e isso só me dá mais vontade de ter meu próprio vocabulário.
Imagina só todo mundo falando o moniquês como segunda língua, conjugando o verbo monicar no pretério-mais-que-perfeito e admirando uma coisa muito legal com um "nossa, que monicada!"? Aos mais ignorantes, os problemas de compreensão seriam resolvidos facilmente com meios alternativos. Tipo a minha avó, que é tão from farm que as vezes a gente tem que brecar e soltar um "Dona Nilza, por favor, desenha o que a senhora quer dizer que com palavras não tá dando pra entender".
De qualquer forma, acho que vou abraçar de vez a causa dos neologismos. Afinal de contas, se a Beyoncé conseguiu enfiar bootylicious no Oxford, por que eu não posso monicar no Aurélio?