segunda-feira, 14 de julho de 2014

Essa é pra Mônica

Oi Mônica.

Essa é uma carta pra você, só que vem lá da frente - pra ser mais específica, vem da Mônica com dez anos a mais. Sim, você aí com 14 agora tem 24 nas costas e nem imagina como as coisas vão ser. Vou aproveitar pra tentar dar uma resumida, tá.

Então, você é jornalista. Sim, você conseguiu! Convenceu seu pai, fez um ano de cursinho, passou em dois vestibulares públicos e mudou não só de cidade como também de estado. Você foi morar em Londrina, dá pra acreditar? É, eu sei, isso nem passa pela sua cabeça. Mas olha, saiba que foi a melhor coisa que você já fez até hoje. No começo foi complicado, você achava que era maluquice demais e queria largar o curso pra fazer qualquer outra coisa. Mas no fundo você sabia que tudo ia passar e adivinha? Passou.

Foram os melhores anos da sua vida, Mônica. Você aprendeu a ter liberdade e a usar cada pedacinho dela do jeito certo. Teve a vida de faculdade que sempre quis, e aproveitou muito todo o aprendizado e todas as bobeiras desses quatro anos. E Mônica, você fez muuuuitos amigos. Conheceu gente pra caramba, arrumou alguns encostos e passou a lidar com gente de todos os tipos. No meio de tudo isso, você encontrou pessoas que se encaixaram perfeitamente na sua vida e não vão mais sair, pode ter certeza. Gente que até hoje faz parte do seu dia-a-dia, mesmo de longe.

Pois é, você se mudou de novo. Agora você mora em São Paulo, como sempre sonhou. Eu sei que você deve estar abrindo um sorrisão aí pensando "poxa, que sonho realizado, sou jornalista em São Paulo!", mas olha...não é fácil. Posso ser bem sincera? Você ainda está meio perdida. É normal e tudo mais, mas você está percebendo aos poucos que planos mudam e que é OK não saber o que quer desde que você saiba o que não quer. Tá difícil, Mônica, mas acho que estamos no caminho.

Agora vamos voltar a falar de coisa boa? Mesmo nas suas crises existenciais, você parece atrair muita gente legal. As pessoas dizem que você é "leve e corajosa", olha só. E você se dá bem nas coisas que faz, sabe. Até hoje você já trabalhou em várias coisas diferentes, fez uma Pós Graduação em Moda (sim, você é das Modas agora, por incrível que pareça) e já até escreveu pra Capricho! Aliás, uma dica: pega as suas revistas e esconde em algum lugar no quarto porque qualquer dia desses o papai vai te dar uma bronca feia e de castigo vai jogar todas elas no lixo. Vai por mim, melhor esconder.

Mônica, você vai se apaixonar. E vai ser legal, mas não vai dar certo. E aí você vai fazer merda. Bastaaaante merda. Mas vai passar. E eis que quando você menos esperar, você vai se apaixonar de novo. E vai ser tudo tão diferente e natural que você vai se sentir a pessoa mais sortuda do mundo quando estiver com ele. Ele vai ser meio ogrinho e te irritar bastante, mas como você também não é muito fácil vocês vão combinar bem. Vocês vão ser um casal legal e você vai dormir e acordar todos os dias pensando em alguém que pensa em você também - e depois de todos esses anos você vai entender que isso é o que mais importa.

Nesses dez anos você vai perceber que a sua família não é a mais tranquila do mundo, mas com certeza é a melhor que você poderia ter. Depois que você se mudar, tudo vai mudar também. Você e o papai vão se tornar um grude, a mamãe vai ser sua melhor amiga e até o Renan vai se tornar um irmão legal. Infelizmente o vovô vai deixar a gente meio cedo e não vai ter um dia que passe que você não pense nele, mas a vovó vai seguir do seu lado por todos os momentos. Você vai ver que pode até ter uma casa em outro lugar, mas o seu lar é um só. 

O que eu quero que você saiba, Mônica, é que você vai crescer muito. Você vai sair de uma zona de conforto e vai realizar seus sonhos um de cada vez, dia após dia. Hoje, com 24 anos, você vai se sentir preparada para alcançar novos objetivos e vai se animar com cada um deles, e mesmo que alguns não deem certo você vai aprender a enxergar tudo como aprendizado. Você vai mudar demais, e mesmo que algumas pessoas tentem te colocar pra baixo você vai conseguir sempre escutar a sua própria voz. E Mônica, você vai seguir cantando a sua canção, do jeitinho que a Christina Aguilera sempre falou e que agora você leva tatuado no braço. Boa sorte, tamo junto!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Sei lá.

(Olha, faz mil anos que eu não escrevo. 
Eu não sei se eu ainda sei fazer isso.
E esse não vai ser um texto bonito e poético que todo mundo vai se identificar, tá?

Isso é sobre mim.)

Como eu disse, faz mil anos que eu não escrevo nada. Logo eu, que andava com caderninho na bolsa pra anotar qualquer coisa e sempre corri pra cá com as palavras. A verdade é que foi um ano esquisito, complicado, de muito medo e totalmente freak, cheio de coisa estranha. E aí eu perdi a vontade, sabe? Tava sem saco, fui chata e deixei tudo guardadinho, resolvendo na minha cabeça. Acho que funcionou, sei lá.
Enfim, hoje deu vontade de escrever - e eu já disse, não vai ficar lá essas coisas. Mas deu vontade de tentar falar que eu não sei terminar as coisas. Que eu também tenho medo. Que eu não sou lá tão cheia de certeza quanto eu penso que sou. Que eu meio que não sei o que fazer. Que eu queria que as coisas fossem mais normais.
Sabe, eu não penso demais. Eu tento resolver rapidinho e não me impeço de fazer as coisas - eu penso, faço e aí vejo no que dá. E eu não sou de analisar mil horas, de esperar e sei lá, fazer planinhos. Na verdade, pra ser beeem da sincera, tenho um pouco de preguiça de planejar tudo e vou vendo o que acontece. Sei lá, se deu certo, beleza. Se não deu, paciência.
Só que agora parece que tem coisa apertando demais e que tá na hora de resolver. E eu tô tentando falar e fazer aos poucos, mas eu sou muito estabanada. Eu queria mesmo é acordar e já estar tudo resolvidinho, com tudo no lugar certo e a gente só aproveita e segue em frente. Essa coisa de ter paciência e saber a hora certa de agir não é muito comigo não, e parece que quanto mais o tempo passa mais tempo eu tô perdendo, sabe? 
Eu disse que isso aqui não teria lá muito sentido, mas a questão é que é bom tirar do peito um pouco pra tentar amenizar e fazer o tempo passar. E se tem uma coisa que eu aprendi esse ano é que o tempo passa mesmo e leva tudo embora. Deixa tudo bem, deixa a gente tranquilo, faz a gente dormir. Então eu espero que mais uma vez ele ajude a tomar conta das coisas e mostre o que dá certo ou não. O que compensa. O que vale a pena. O que realmente é de verdade. E sei lá, vamos começar de novo e ver mais uma vez onde é que isso tudo vai dar.

(E sim, eu falo muito 'sei lá').